De modo geral, o cidadão, genuinamente falando, se aborrece, ou se inquieta quando fica diante de irregularidades em seu meio. Quando esse cidadão se depara com essas situações, ele mesmo tenta fazer algo, ou busca os órgãos responsáveis.
Em Natal, buscar órgãos competentes é bastante complicado, primeiramente, porque são raros, ainda mais durante a aberração eleitoral chamada "Administração Micarla de Sousa", em segundo lugar, porque as dificuldades de buscar esses órgãos, muitas vezes são imensas. Em Natal, temos o exemplo dos "buracos de Natal", que diante de uma postura incompetente e inerte dos órgãos responsáveis, muitos moradores tiveram, eles mesmos, que tapar os buracos de suas ruas.
Há várias semanas, na Rua Professor Manoel Vilar, a rua que fica ao lado da Fiat Pontanegra, que desemboca na Avenida Roberto Freire, venho presenciando, nos horários de pico que, simplesmente, os motoristas não respeitam a mão dupla da rua. Seria digno, heróico e até emocionante, se tamanha pressa, que leva os motoristas a cometerem uma infração tão grave e perigosa, fosse para salvar o mundo, mas não é. Trata-se de um espírito egoísta e corrupto.
Já presenciei cenas absurdas, por exemplo, quando um ônibus no sentido normal quase bateu de frente com um carro de passeio, que vinha na contra mão. Hoje, voltou a acontecer, tive que pegar tal rua, e mais uma vez, tive raiva. Um taxi que pegou a contra mão, parou ao meu lado, aproveitei o vidro aberto do taxista apressado, e perguntei se ele não sabia que era contra mão. Ele disse, ironicamente, que não. Falei, também ironicamente, ser bela a pressa dele para salvar o mundo.
Desde que comecei a presenciar essas cenas, tentei fazer a denúncia na página da prefeitura (http://www.natal.rn.gov.br/ouvidoria/), em vão, pois o site dizia que meu e-mail é inválido, talvez só se for para essa página, ou para esse fim. Durante esse tempo, tentava ligar para o número que consta nos carros da SEMOB - 156 - e foi sempre em vão. Hoje resolvi ligar para a polícia, e quando informei ao policial que tentei contato pelo 156, ele riu, disse que esse telefone não funciona, e me passou o número 3232-9144. Feliz, resolvi ligar achando que ajudaria a resolver o problema, mas às 18:20, ninguém atendeu. Provavelmente porque a partir das 18 horas o trânsito de Natal não exija maiores cuidados.
Em Natal, não dá pra ser cidadão.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
Não valemos nada.
Sim, não valemos nada. Não importa o quanto trabalhamos, o quanto estudamos, e o quanto lutamos por uma sociedade mais democrática, se carregamos conosco um estigma que nos marginaliza, seremos sempre uns vagabundos, uns merdas, a vergonha da família, e alvo de ódio, calúnias e dos olhares da censura. Todas nossas virtudes, todo nosso suor é deixado em segundo plano, todas nossas qualidades se perdem em meio ao discurso opressor.
Não valemos nada. Podemos, na medida do possível, ser o melhor filho, um parente amável, ou um excelente colega de trabalho, se não seguimos o fluxo, se não formos sujeitos inofensivos, seremos execrados, alvo de escárnio, e nossas idéias, coitadas, se tornam inaudíveis e invisíveis. Nossos defeitos se tornam monstruosamente grandes diante de nossas qualidades, nos atribuem rótulos, seja de "bicha", "comunista" ou "drogado", e não importa o que façamos, seremos apenas isso.
Não quero aqui dizer o que devemos fazer, mas creio que só temos duas opções: agüentar a opressão em silêncio, sofrendo, ou dar a cara a tapa e encarar os opressores. Minhas bochechas já estão coradas, mas acredito ser a melhor opção quando se busca a liberdade de corpo e alma.
Pelo direito de fazermos o que quisermos com nossos corpos.
Não valemos nada. Podemos, na medida do possível, ser o melhor filho, um parente amável, ou um excelente colega de trabalho, se não seguimos o fluxo, se não formos sujeitos inofensivos, seremos execrados, alvo de escárnio, e nossas idéias, coitadas, se tornam inaudíveis e invisíveis. Nossos defeitos se tornam monstruosamente grandes diante de nossas qualidades, nos atribuem rótulos, seja de "bicha", "comunista" ou "drogado", e não importa o que façamos, seremos apenas isso.
Não quero aqui dizer o que devemos fazer, mas creio que só temos duas opções: agüentar a opressão em silêncio, sofrendo, ou dar a cara a tapa e encarar os opressores. Minhas bochechas já estão coradas, mas acredito ser a melhor opção quando se busca a liberdade de corpo e alma.
Pelo direito de fazermos o que quisermos com nossos corpos.
terça-feira, 13 de março de 2012
algumas reflexões em torno do ato de pedalar
Decidi organizar esses pensamentos vagos após dar algumas pedaladas, e ao longo do caminho, refletir sobre o que eu ia vendo e vivendo. É importante refletirmos sobre nossas ações, por mais banais que pareçam, para que não cairmos num lugar comum, apenas reproduzindo práticas sem refletir minimamente sobre elas. Acredito que a maioria dos ciclistas já devem ter pensado sobre isso, mas como o blog é meu, postarei assim mesmo (hahaha).
1- O ciclista por si só já é um agente multiplicador, na medida em que pedala por aí e é visto. A "militância ativa e muda" causa impacto, e leva algumas pessoas a pensar em adotar a bicicleta, seja como lazer, seja como meio de transporte propriamente dito.
2- Um dos nossos vários inimigos, além dos buracos nas ruas (gestão Micarla de Sousa), são os grandes desníveis entre as calçadas, ou então um meio fio que mais parece uma parede de tão alto. É importante tocar nesse assunto, uma vez que o assunto da vez é "mobilidade urbana", e nossas calçadas se encontram desta maneira. Se para nós, ciclistas, essa barreira já incomoda, não é difícil imaginar que causa muito mais transtorno a um cadeirante, ou um idoso, por exemplo.
3- De oprimido, a opressor: infelizmente uma parte considerável das motos não nos respeitam. Quando o oprimido passa a ser opressor, ele tende a ser ainda mais sádico do que seu antigo opressor, e alguns motoqueiros parecem não lembrar a violência que sofrem dos carros, e reproduzem o terror contra os ciclistas. O mesmo pensamento deve guiar os ciclistas. Muitos trafegam pelas calçadas (visto que não existem ciclovias na cidade), e precisam ser sensíveis aos pedestres, que não podem ter seu espaço violado.
4- Além de respeitar a distância de 1,5 metro do ciclista, os motoristas de carros (também de motos e veículos maiores), precisam lembrar de usar a sinalização, em especial a seta, ou sinaleira, como prefiram. A comunicação no trânsito fica comprometida a partir do momento que instrumentos de comunicação não são usados, e quem sofre são os menores: ciclistas e pedestres.
5- Como dito anteriormente, "obras de mobilidade" virou um assunto em pauta na cidade devido à Copa do Mundo 2014. É importante que não só ciclistas, mas toda a população reivindique a presença de ciclovias na cudade, visando promover realmente uma "mobilidade social", e incentivar o hábito saudável de pedalar.
1- O ciclista por si só já é um agente multiplicador, na medida em que pedala por aí e é visto. A "militância ativa e muda" causa impacto, e leva algumas pessoas a pensar em adotar a bicicleta, seja como lazer, seja como meio de transporte propriamente dito.
2- Um dos nossos vários inimigos, além dos buracos nas ruas (gestão Micarla de Sousa), são os grandes desníveis entre as calçadas, ou então um meio fio que mais parece uma parede de tão alto. É importante tocar nesse assunto, uma vez que o assunto da vez é "mobilidade urbana", e nossas calçadas se encontram desta maneira. Se para nós, ciclistas, essa barreira já incomoda, não é difícil imaginar que causa muito mais transtorno a um cadeirante, ou um idoso, por exemplo.
3- De oprimido, a opressor: infelizmente uma parte considerável das motos não nos respeitam. Quando o oprimido passa a ser opressor, ele tende a ser ainda mais sádico do que seu antigo opressor, e alguns motoqueiros parecem não lembrar a violência que sofrem dos carros, e reproduzem o terror contra os ciclistas. O mesmo pensamento deve guiar os ciclistas. Muitos trafegam pelas calçadas (visto que não existem ciclovias na cidade), e precisam ser sensíveis aos pedestres, que não podem ter seu espaço violado.
4- Além de respeitar a distância de 1,5 metro do ciclista, os motoristas de carros (também de motos e veículos maiores), precisam lembrar de usar a sinalização, em especial a seta, ou sinaleira, como prefiram. A comunicação no trânsito fica comprometida a partir do momento que instrumentos de comunicação não são usados, e quem sofre são os menores: ciclistas e pedestres.
5- Como dito anteriormente, "obras de mobilidade" virou um assunto em pauta na cidade devido à Copa do Mundo 2014. É importante que não só ciclistas, mas toda a população reivindique a presença de ciclovias na cudade, visando promover realmente uma "mobilidade social", e incentivar o hábito saudável de pedalar.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Natal e os excessos
Acabei de chegar da rua, e está calor em excesso. Uma espécie de treinamento para aguentar queimar durante a eternidade no fogo do inferno. Além de um sol de lascar, há prédios em excesso (a especulação imobiliária manda em excesso na cidade, não é mesmo srs. vereadores?), o que faz com que o ar circule muito pouco, e a sensação térmica beire o insuportável.
Há também carros em excesso, apesar da cidade ser relativamente pequena, e tudo ser relativamente perto. O carro em Natal virou objeto de gozo, como se só pudesse ser feliz, possuindo um, e de preferência novo, caro e imenso, para desfilar perante os demais boçais. Se por um lado temos carros em excesso, não temos vias espaçosas, tampouco ciclovias. As obras de mobilidade sequer começaram, além do que, tocadas por incompetentes, temo pelo pior. Já as ciclovias, não são prioridade para essa gente que não abre mão de sua Land Rover.
Aliado ao calor infernal, prédios por todos os lados e o trânsito caótico, vemos os serviços básicos sucateados, nosso principal problema. Saúde, educação e segurança com suas fragilidades escancaradas, o que escancara na verdade, a incompetência e a "má vontade", em excesso, de nossos gestores.
Sendo assim, famílias são mandadas para longe pela especulação imobiliária (com total benevolência dos nossos políticos, como já dito anteriormente), para construirem prédios imensos que prejudicarão a circulação do ar da cidade. Já as famílias mandadas para longe, para zonas mais periféricas, possuem acesso muito limitado à saúde, educação, cultura e lazer, pois infelizmente, essas não são as prioridades dos governos atuais e passados. Concluindo, entendo que seja essa a fórmula do caos que está sendo gerado na cidade, que só será solucionado se o nosso quadro social for revertido. Não acredito que a solução seja colocar policias em excesso nas ruas.
Há também carros em excesso, apesar da cidade ser relativamente pequena, e tudo ser relativamente perto. O carro em Natal virou objeto de gozo, como se só pudesse ser feliz, possuindo um, e de preferência novo, caro e imenso, para desfilar perante os demais boçais. Se por um lado temos carros em excesso, não temos vias espaçosas, tampouco ciclovias. As obras de mobilidade sequer começaram, além do que, tocadas por incompetentes, temo pelo pior. Já as ciclovias, não são prioridade para essa gente que não abre mão de sua Land Rover.
Aliado ao calor infernal, prédios por todos os lados e o trânsito caótico, vemos os serviços básicos sucateados, nosso principal problema. Saúde, educação e segurança com suas fragilidades escancaradas, o que escancara na verdade, a incompetência e a "má vontade", em excesso, de nossos gestores.
Sendo assim, famílias são mandadas para longe pela especulação imobiliária (com total benevolência dos nossos políticos, como já dito anteriormente), para construirem prédios imensos que prejudicarão a circulação do ar da cidade. Já as famílias mandadas para longe, para zonas mais periféricas, possuem acesso muito limitado à saúde, educação, cultura e lazer, pois infelizmente, essas não são as prioridades dos governos atuais e passados. Concluindo, entendo que seja essa a fórmula do caos que está sendo gerado na cidade, que só será solucionado se o nosso quadro social for revertido. Não acredito que a solução seja colocar policias em excesso nas ruas.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Um fim de ano um tanto difícil.
Em minha avaliação, o primeiro semestre de 2011 foi muito bom. Muitas conquistas, muitas vitórias! Me formei, fui contratado, o #ForaMicarla estava a todo vapor e... veio o segundo semestre, que eu não tinha idéia do quão desastroso seria.
Logo no início de Agosto (mês do desgosto), voltei a lesionar meu joelho com gravidade. Novamente jogando futebol, rompi os ligamentos do joelho esquerdo, numa tarde de domingo chuvosa. Passei uma semana afastado do trabalho sem conseguir andar, e passei meu aniversário deitado na cama reclamando de dores. Na semana seguinte, voltei a trabalhar, mesmo que cheio de dores, e assim fui levando.
Adiei ao máximo minha cirurgia para não deixar um buraco na coordenação educacional da escola onde trabalhava, o que resultou em trabalhar muitas vezes cheio de dores, câimbras, espasmos e lesões musculares.
As lutas não pararam, apesar de não mostrarem a força d'antes. Fomos algumas vezes à Câmara Municipal fiscalizar o andamento da CEI dos Contratos, e mostrar que não esquecemos o que nossos vereadores fizeram na gestão passada (Operação Impacto), mas infelizmente, nos deparamos com a casa do povo, fechada para o povo. Me revoltei com a situação, com a tentativa de intimidação que rolou dentro da casa (fui fotografado, e escutei que queriam meu endereço para me processarem), e externei minha raiva no twitter, sem saber que isso me geraria mais problemas.
O final do ano foi se aproximando, e meu médico me ligou com a última data viável para minha cirurgia. O fim do ano se aproximava, e os alunos aprovados por média já estavam de férias. Informei à escola da cirurgia, que disse não ter problemas, que era só levar o atestado (acredito que isso foi numa terça feira).
Numa sexta feira, acordei e fui ao computador ver umas coisas, e logo cedo aquela sexta feira mostrou que seria dura comigo. Recebi a informação que a prova do concurso para professor que fiz seria anulada caso eu tivesse feito a redação com caneta azul (e eu acho que fiz). Mais tarde, no trabalho, fui demitido. Respirei fundo e continuei.
Quatro dias depois, na terça, operei meu joelho. Cirurgia marcada para as 9 da manhã, mas só fui fazê-la às 16h, e o tempo de espera aguardei no hospital, em jejum. A cirurgia foi menos dolorosa que a primeira, mas era algo que eu não queria ter que passar novamente. Muita dor física e psicológica.
Durante minha recuperação, descubro que estou sendo processado por um vereador réu num escândalo de corrupção, e o mesmo quer de mim 21 mil reais. Na minha opinião, o que motivou o processo não foram minhas palavras no twitter, mas sim o fato de eu ter metido o dedo na ferida dele (Operação Impacto). Para mim, mais uma tentativa de perseguir e silenciar integrantes de movimentos sociais.
No mais, que 2012 seja um grande ano para mim, para os meus próximos, conhecidos e para a cidade de Natal.
Logo no início de Agosto (mês do desgosto), voltei a lesionar meu joelho com gravidade. Novamente jogando futebol, rompi os ligamentos do joelho esquerdo, numa tarde de domingo chuvosa. Passei uma semana afastado do trabalho sem conseguir andar, e passei meu aniversário deitado na cama reclamando de dores. Na semana seguinte, voltei a trabalhar, mesmo que cheio de dores, e assim fui levando.
Adiei ao máximo minha cirurgia para não deixar um buraco na coordenação educacional da escola onde trabalhava, o que resultou em trabalhar muitas vezes cheio de dores, câimbras, espasmos e lesões musculares.
As lutas não pararam, apesar de não mostrarem a força d'antes. Fomos algumas vezes à Câmara Municipal fiscalizar o andamento da CEI dos Contratos, e mostrar que não esquecemos o que nossos vereadores fizeram na gestão passada (Operação Impacto), mas infelizmente, nos deparamos com a casa do povo, fechada para o povo. Me revoltei com a situação, com a tentativa de intimidação que rolou dentro da casa (fui fotografado, e escutei que queriam meu endereço para me processarem), e externei minha raiva no twitter, sem saber que isso me geraria mais problemas.
O final do ano foi se aproximando, e meu médico me ligou com a última data viável para minha cirurgia. O fim do ano se aproximava, e os alunos aprovados por média já estavam de férias. Informei à escola da cirurgia, que disse não ter problemas, que era só levar o atestado (acredito que isso foi numa terça feira).
Numa sexta feira, acordei e fui ao computador ver umas coisas, e logo cedo aquela sexta feira mostrou que seria dura comigo. Recebi a informação que a prova do concurso para professor que fiz seria anulada caso eu tivesse feito a redação com caneta azul (e eu acho que fiz). Mais tarde, no trabalho, fui demitido. Respirei fundo e continuei.
Quatro dias depois, na terça, operei meu joelho. Cirurgia marcada para as 9 da manhã, mas só fui fazê-la às 16h, e o tempo de espera aguardei no hospital, em jejum. A cirurgia foi menos dolorosa que a primeira, mas era algo que eu não queria ter que passar novamente. Muita dor física e psicológica.
Durante minha recuperação, descubro que estou sendo processado por um vereador réu num escândalo de corrupção, e o mesmo quer de mim 21 mil reais. Na minha opinião, o que motivou o processo não foram minhas palavras no twitter, mas sim o fato de eu ter metido o dedo na ferida dele (Operação Impacto). Para mim, mais uma tentativa de perseguir e silenciar integrantes de movimentos sociais.
No mais, que 2012 seja um grande ano para mim, para os meus próximos, conhecidos e para a cidade de Natal.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Vai em paz, dr. Sócrates!
Em 1983, como uma espécie de profecia, Sócrates Brasileiro, ou para muitos, apenas Dr. Sócrates, ou "Magrão", disse que queria morrer num domingo, com o Corinthians se sagrando campeão. Assim, parecendo traçar seu destino glorioso, Sócrates faleceu logo no início desse domingo (4), véspera da decisão do Campeonato Brasileiro, que deu Corinthians, como ele queria.

Sócrates foi mais que um grande jogador de futebol. Não conseguiu ser campeão do mundo pela magnífica seleção de 82, ou campeão brasileiro pelo Corinthians, mas mesmo assim, é um gigante da história do nosso futebol. Sócrates surgiu no Botafogo de Ribeirão Preto (SP), e muitos diziam que ele não tinha futuro no esporte, pois não tinha tempo para treinar por cursar faculdade de Medicina. Entretanto, ele contrariou a todos, pois nasceu com o dom, e além de um grande jogador, foi um intelectual, um militante político de esquerda, um pensador.
Além das belas jogadas, Sócrates se destacou por liderar, nos tempos da ditadura militar, um movimento revolucionário no Corinthians, que veio a se chamar "A Democracia Corinthiana". O movimento consistia na tomada de poder das decisões do clube por parte dos jogadores, de forma democrática. Além da Democracia Corinthiana, Sócrates se engajou no movimento Diretas Já, que reivindicava eleições presidenciais diretas.
O futebol no Brasil e no mundo continua sendo o esporte com maior apelo. Os jogadores cada vez mais são elevados a status de mega estrelas, só que ao contrário de Sócrates (que também foi uma exceção), esses jogadores não usam seu poder midiático para causas realmente importantes (como a luta pela democracia, por exemplo), mas sim, para lançar penteados, participar de campanhas publicitárias, ou lançar polêmicas fúteis. Fica a reflexão de quais referenciais de atleta e de humano a juventude de hoje tem, quais valores e atitudes são exaltados, e consequentemente, quais valores e atitudes são reproduzidos pelas gerações mais novas.
Futebol e política estão - apesar de não parecer - extremamente ligados, infelizmente, essa relação só é mais perceptível nos bastidores, entre a "cartolagem" (Copa 2014 e a relação FIFA, CBF e Governo Federal é um exemplo crasso), cabendo aos jogadores apenas o papel de "peão", completamente submisso ao poder (exemplo disso é o ex-jogador Ronaldo, que mesmo rico e influente, aceitou fazer parte do comitê organizador da Copa, com uma missão clara de "blindar" o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, alvo de denúncias de corrupção).
Sócrates ia contra tudo isso, pois nunca baixou a cabeça para poderosos, tendo inclusive se manifestado contra um regime ditatorial. Sócrates podia não ser um exemplo de atleta, pois bebia bastante, mas era um exemplo de cidadão, exemplo esse que tanto nos falta hoje em dia. É, o "Doutor da bola" vai fazer falta...

Sócrates foi mais que um grande jogador de futebol. Não conseguiu ser campeão do mundo pela magnífica seleção de 82, ou campeão brasileiro pelo Corinthians, mas mesmo assim, é um gigante da história do nosso futebol. Sócrates surgiu no Botafogo de Ribeirão Preto (SP), e muitos diziam que ele não tinha futuro no esporte, pois não tinha tempo para treinar por cursar faculdade de Medicina. Entretanto, ele contrariou a todos, pois nasceu com o dom, e além de um grande jogador, foi um intelectual, um militante político de esquerda, um pensador.
Além das belas jogadas, Sócrates se destacou por liderar, nos tempos da ditadura militar, um movimento revolucionário no Corinthians, que veio a se chamar "A Democracia Corinthiana". O movimento consistia na tomada de poder das decisões do clube por parte dos jogadores, de forma democrática. Além da Democracia Corinthiana, Sócrates se engajou no movimento Diretas Já, que reivindicava eleições presidenciais diretas.
O futebol no Brasil e no mundo continua sendo o esporte com maior apelo. Os jogadores cada vez mais são elevados a status de mega estrelas, só que ao contrário de Sócrates (que também foi uma exceção), esses jogadores não usam seu poder midiático para causas realmente importantes (como a luta pela democracia, por exemplo), mas sim, para lançar penteados, participar de campanhas publicitárias, ou lançar polêmicas fúteis. Fica a reflexão de quais referenciais de atleta e de humano a juventude de hoje tem, quais valores e atitudes são exaltados, e consequentemente, quais valores e atitudes são reproduzidos pelas gerações mais novas.
Futebol e política estão - apesar de não parecer - extremamente ligados, infelizmente, essa relação só é mais perceptível nos bastidores, entre a "cartolagem" (Copa 2014 e a relação FIFA, CBF e Governo Federal é um exemplo crasso), cabendo aos jogadores apenas o papel de "peão", completamente submisso ao poder (exemplo disso é o ex-jogador Ronaldo, que mesmo rico e influente, aceitou fazer parte do comitê organizador da Copa, com uma missão clara de "blindar" o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, alvo de denúncias de corrupção).
Sócrates ia contra tudo isso, pois nunca baixou a cabeça para poderosos, tendo inclusive se manifestado contra um regime ditatorial. Sócrates podia não ser um exemplo de atleta, pois bebia bastante, mas era um exemplo de cidadão, exemplo esse que tanto nos falta hoje em dia. É, o "Doutor da bola" vai fazer falta...
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
"gente de bem não teme a polícia"
Hoje cedo, e mais algumas vezes anteriormente, me deparei com esse papo. Me desculpem mas, nada mais CRETINO, PREPOTENTE, INGÊNUO, e dotado de uma obediência CEGA é esse discurso pré fabricado de que "gente de bem não teme a polícia". Presumo que quem repete esse mantra conservador nunca participou de um movimento social (me corrijam se eu estiver errado).
Por esse discurso subentendo que os manifestantes que ocupam a Wall Street para protestar, por perceberem que são massacrados pelo sistema financeiro são más pessoas (visto que entraram em conflito com a polícia, resultando inclusive, na prisão de CRIANÇAS). Subentendo também, que os professores do Estado de SP, que foram recebidos pela PM, do então Governador José Serra, com balas de borracha e bombas de gás, também são más pessoas, e a mesma lógica se aplica ao manifestantes do #ForaMicarla, que viveram vários momentos de apreensão, com eminentes possibilidades de invasão da PM para desocupar a CMN, que foi ocupada para reivindicar uma CEI dos contratos da Prefeitura fraudulenta. Dei só esses exemplos, mas poderia dar vários outros, como por exemplo os manifestos contra aumento de passagem de ônibus, que apesar de atropelarem a população, são duramente reprimidos pela polícia.
Acredito que, se esse tipo de gente que se presta ao papel de papagaio de Estado fascista já tivesse participado de um movimento social, que questionasse a ordem, e visse na PM, uma adversária da liberdade de expressão, inimiga de reivindicações legítimas, talvez essas pessoas pensassem diferente.
Em tempo: não quero aqui endemonizar a polícia, só quero expor meu pensamento contrário a uma generalização burra. A polícia é um braço (repressor) do Estado, logo, age de acordo com seus interesses, que em muitos casos, não representam o interesse do povo.
Por esse discurso subentendo que os manifestantes que ocupam a Wall Street para protestar, por perceberem que são massacrados pelo sistema financeiro são más pessoas (visto que entraram em conflito com a polícia, resultando inclusive, na prisão de CRIANÇAS). Subentendo também, que os professores do Estado de SP, que foram recebidos pela PM, do então Governador José Serra, com balas de borracha e bombas de gás, também são más pessoas, e a mesma lógica se aplica ao manifestantes do #ForaMicarla, que viveram vários momentos de apreensão, com eminentes possibilidades de invasão da PM para desocupar a CMN, que foi ocupada para reivindicar uma CEI dos contratos da Prefeitura fraudulenta. Dei só esses exemplos, mas poderia dar vários outros, como por exemplo os manifestos contra aumento de passagem de ônibus, que apesar de atropelarem a população, são duramente reprimidos pela polícia.
Acredito que, se esse tipo de gente que se presta ao papel de papagaio de Estado fascista já tivesse participado de um movimento social, que questionasse a ordem, e visse na PM, uma adversária da liberdade de expressão, inimiga de reivindicações legítimas, talvez essas pessoas pensassem diferente.
Em tempo: não quero aqui endemonizar a polícia, só quero expor meu pensamento contrário a uma generalização burra. A polícia é um braço (repressor) do Estado, logo, age de acordo com seus interesses, que em muitos casos, não representam o interesse do povo.
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