Há alguns dias estava distraído em casa, quando comecei a zapear, e me deparei com o filme do Homem de Ferro (acho que o 2), um dos meus super heróis de infância favorito, então, parei para assistir um pouco. Vi que se tratava de mais um filme de heróis altruístas, um sujeito riquíssimo que simplesmente decidiu salvar o mundo, sozinho, como todo filme de herói americano. Uma mensagem clara de individualismo, e de que alguém teoricamente superior a você, surgirá para salvá-lo.
Aí hoje, conversando com meu amigo João, chegamos nesse assunto, e seguimos falando dos demais heróis.
A mesma lógica do Homem de Ferro, é a do Batman. Homem riquíssimo, e pelos vistos também altruísta, que ao invés de ir viver seu romance com o Robin, ou com a Mulher Gato, sei lá, decide salvar Gotham City. O Batman também é sempre um bonitão, enquanto seus inimigos são feiosos. Os feios não podem ser bons....
Já o Super Homem, e o Homem Aranha (este foi o herói favorito da minha infância), além de viverem às voltas com suas amadas (porque as mulheres sempre aparecem para emperrar a vida do herói?), carregam em suas vestimentas uma mensagem nacionalista clara, afinal, nunca vi uma aranha com as cores da bandeira americana. Ambos são jornalistas, ambos foram criados por volta da década de 30 (me corrijam se eu estiver errado), época que o jornal impresso era fortíssimo, tentativa clara de colocar a mídia e seus profissionais no pedestal, com uma áurea de confiabilidade e heroísmo.
Nesse bonde, não sei porque chegamos ao He-Man, herói também altruísta, juntamente com toda a família real de Eternia, da qual faz parte (alô oligarquia). Assim como quase todos os heróis, ele atende a um padrão de beleza bem específico, assim como o resto da família real, em detrimento dos vilões, que não agradam visualmente. O mais sinistro desse herói, é o fato do POVO de Eternia simplesmente não aparecer durante o desenho, exceto no fim, para aplaudir a bondade da família real branca e atlética.
Podíamos ter falado sobre mais heróis, mas acabamos chegando no Chapolin Colorado. O aparentemente mais bobo, mas que para nós é o melhor. Além de latino, como nós, não atende a padrões de beleza, é baixinho e sua beleza externa não é daquelas que estampa capas de revista. E o melhor dele, por mais atrapalhado que seja, sempre, bem ou mal, acaba resolvendo o problema, e ao contrário dos demais, SEMPRE com a ajuda e a participação de todos. Coletividade, sempre!
Sigam-me os bons!
terça-feira, 25 de setembro de 2012
segunda-feira, 11 de junho de 2012
vem em mim Dodge Ram
Dia desses, ouvindo rádio, tocou uma "música" de um tal de Gustavo Lima e, de tão grotesca (como todas dessa leva "musical") fiquei na dúvida se era uma zoação, ou uma peça publicitária de muito mal gosto.
Ontem voltei a ouvi-la na rádio, por mais de uma vez. E ouvindo-a à exaustão, podemos aprender várias coisas...
Vem Em Mim Dodge Ram
Gusttavo Lima
O título da música já deixa explícito que se trata de mais um culto ao deus-carro, que obrigatoriamente tem que ser grande e imponente. Só me pergunto se esses caras ganham $ das montadoras ou se trata apenas de imbecilidade e propaganda gratuita.
[...]
Já não faz muito tempo,
Que eu andava a pé,
não pegava nem gripe
muito menos mulher
Ontem voltei a ouvi-la na rádio, por mais de uma vez. E ouvindo-a à exaustão, podemos aprender várias coisas...
Vem Em Mim Dodge Ram
Gusttavo Lima
O título da música já deixa explícito que se trata de mais um culto ao deus-carro, que obrigatoriamente tem que ser grande e imponente. Só me pergunto se esses caras ganham $ das montadoras ou se trata apenas de imbecilidade e propaganda gratuita.
[...]
Já não faz muito tempo,
Que eu andava a pé,
não pegava nem gripe
muito menos mulher
[...]
Quem não tem dinheiro é primo primeiro de um cachorro
O trem era tão feio que nem sobrava osso pra mim
Agora eu to mudado
O meu bolso tá cheio
Mulherada atrás
Eu quero ouvir cada vez mais
[...]
O trem era tão feio que nem sobrava osso pra mim
Agora eu to mudado
O meu bolso tá cheio
Mulherada atrás
Eu quero ouvir cada vez mais
[...]
Quem não tem dinheiro (o pobre) é primo primeiro de um cachorro. Interessante essa mensagem sendo difundida via rádio, não? Deve ser gostosa a sensação de ser humilde, e escutar por um dos seus principais meios de comunicação que sua condição socioeconômica o iguala a um cão.
Depois, novamente a idéia de que, com dinheiro, você terá mulheres. Afinal, com dinheiro temos todo tipo de mercadoria, não é mesmo? Que lástima!
Depois disso, é só refrão, para legitimar o quão inócua é essa "música":
Vem em mim Dodge RAM
Focker duzentos e oitenta,
a mulherada louca
Israel Novaes arrebenta!
Porra é isso?
Focker duzentos e oitenta,
a mulherada louca
Israel Novaes arrebenta!
Porra é isso?
Lembrando só que esse carro é absurdamente imenso, quase um caminhão. Virou quase uma competição entre esse tipo de sujeito, para ver quem ocupa mais espaço nas ruas. E depois essa mesma galera diz que esse tipo de música é "só para dançar", ou "só para tirar onda". Vai vendo...
Se esse pensamento expresso na música, profundo como uma poça de cuspe não fosse tão reproduzido, eu poderia até levar na esportiva, como não, acho que precisamos ficar atento ao que é difundido pelos meios de comunicação, e reproduzido por seus consumidores passivos.
No meu entendimento, só acho que antes de levantarem bandeiras de censura, precisamos urgentemente repensar que modelo de sociedade e de escola que nós temos, que forma, quase que em série, ávidos consumidores dessa dita "cultura".
quarta-feira, 6 de junho de 2012
é preciso lembrar!
"Se há algo que os educandos brasileiros precisam saber, desde a mais
tenra idade, é que a luta em favor do respeito aos educadores e à
educação inclui que a briga por salários menos imorais é um dever
irrecusável e não só um direito deles. A luta dos professores em defesa
de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento
importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo
que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte. O
combate em favor da dignidade da prática docente é tão parte dela mesma
quanto dela faz parte o respeito que o professor deve ter à identidade
do educando, à sua pessoa, a seu direito de ser. Um dos piores males que
o poder público vem fazendo a nós, no Brasil, historicamente, desde que
a sociedade brasileira foi criada, é o de fazer muitos de nós correr o
risco de, a custo de tanto descaso pela educação pública,
existencialmente cansados, cair no indiferentismo fatalistamente cínico
que leva ao cruzamento dos braços. "Não há o que fazer" é o discurso
acomodado que não podemos aceitar."
- Paulo Freire. Do Livro Pedagogia da Autonomia, lançado em 1997, três semanas antes de seu falecimento.
- Paulo Freire. Do Livro Pedagogia da Autonomia, lançado em 1997, três semanas antes de seu falecimento.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Quanto vale a sua dignidade?
Hoje, em entre o IFRN e o Midway, estava marcado um ato para reunir diversas lutas: contra o aumento da passagem de ônibus, contra os empresários que monopolizam o transporte público, e pelo #VetaDilma, contra o novo código ruralista florestal.
Preparei um cartaz contra os empresários, contra a tarifa abusiva e pedindo mais opções de transporte público, nada mais. Chegando no lugar marcado, tinha uma aglomeração de cargos comi$$ionados da prefeita Micarla Picareta.
Não quero aqui comentar o ato, que teve seus méritos e suas falhas. Quero apenas expressar o quanto fiquei incrédulo diante da situação. Figuras marcadas, a mesma senhora que ano passado tomou bandeiras contra Micarla no 2o grande ato do movimento, e mais uma dúzia de babões e comi$$ionados desesperados por um extra no fim do mês.
Tem gente que diz que todo mundo tem um preço. Eu discordo, acredito que muitos não se vendem, outros, se vendem, mas por um preço bem elevado, e temos esses, que se vendem por uma mixaria. Sujeitos cuja dignidade tem seu preço estampado no contracheque. Bate uma grande descrença quanto à humanidade, quando se vê tantas pessoas exaltando uma prefeita corrupta, rejeitada, e a agredir, ofender quem é contra ela, tudo por uns trocados.
Começo realmente a pensar se eu não sou um iludido, e de fato, a humanidade não vale mais que isso.
Preparei um cartaz contra os empresários, contra a tarifa abusiva e pedindo mais opções de transporte público, nada mais. Chegando no lugar marcado, tinha uma aglomeração de cargos comi$$ionados da prefeita Micarla Picareta.
Não quero aqui comentar o ato, que teve seus méritos e suas falhas. Quero apenas expressar o quanto fiquei incrédulo diante da situação. Figuras marcadas, a mesma senhora que ano passado tomou bandeiras contra Micarla no 2o grande ato do movimento, e mais uma dúzia de babões e comi$$ionados desesperados por um extra no fim do mês.
Tem gente que diz que todo mundo tem um preço. Eu discordo, acredito que muitos não se vendem, outros, se vendem, mas por um preço bem elevado, e temos esses, que se vendem por uma mixaria. Sujeitos cuja dignidade tem seu preço estampado no contracheque. Bate uma grande descrença quanto à humanidade, quando se vê tantas pessoas exaltando uma prefeita corrupta, rejeitada, e a agredir, ofender quem é contra ela, tudo por uns trocados.
Começo realmente a pensar se eu não sou um iludido, e de fato, a humanidade não vale mais que isso.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Não deixem de ouvir rádio!
Cada vez mais, estou andando menos de carro.
Diante de um trânsito que a cada dia fica mais caótico, pois o natalense passou a acreditar que não se pode viver sem carro, além de meus problemas crônicos nos joelhos, tive que buscar uma alternativa de transporte, que encontrei na bicicleta. Nosso transporte público é vergonhoso, quando não inexistente (trens, onde?), mas não podemos usar isso como álibi, para virar a cara para o problema, adquirindo um carro, pois nem todos podem comprar um carro, tampouco a cidade e o meio ambiente aguentariam a demanda de ricos insanos por um veículo motorizado.
Mas bem, não é sobre isso que quero falar. Como disse, tenho andado muito pouco de carro, mas sempre que ando, venho escutando a rádio. As gerações mais novas, mais ligadas à tv e à internet (agora existem os iboys, os indivíduos que se desconectam do mundo quando estão com seus celulares nas mãos) acreditam que quase ninguém ouve rádio, muitos inclusive, desconhecem a importância histórica do rádio.
Como todo meio de comunicação, é importante que tenhamos sobre ele um olhar crítico, para que possamos compreender algumas de suas consequências. Com a grande influência da tv em nossa sociedade, aliada à popularização da internet, debates sobre o conteúdo televisivo tornaram-se mais corriqueiros na rede. No entanto, a rádio ainda é um pouco esquecida.
Precisamos lembrar que a rádio ainda exerce uma influência forte em nossa sociedade, principalmente nas classes menos favorecidas. Uma pesquisa feita por mim, mas que qualquer um pode constatar, me revelou que empregadas domésticas, caminhoneiros, operários e taxistas (este último eu suponho) ouvem muito rádio durante o trabalho. E o conteúdo que essas pessoas recebem é parecido com o conteúdo da grande e velha mídia televisiva. Nossos meios de comunicação foram loteados e entregues para uma série de figuras, que pouco têm a contribuir com a construção de uma democracia cada vez mais próxima do real conceito de democracia.
Não é a toa que é crescente a quantidade de rádios evangélicas. Enquanto o trabalhador exerce sua função, é cooptado por uma instituição através das ondas de rádio.
Hoje, ouvindo a rádio, coloquei na 94fm, a Rádio Cidade do RN. Logo que coloquei, Alexandre Garcia começou a falar. Falou de um ranking de presidentes de empresas sulamericanas feito a partir do ano de 95. Boa parte eram brasileiros (curiosamente, só presidentes de empresas privatizadas, como a CSN, Vale...), e logo em seguida, Alexandre Garcia disse que eram poucos os argentinos no ranking, segundo ele "em decorrência da bagunça causada pelo casal Kirchner, e em seguida comentou sobre a estatização da petroleira YPF, dizendo que "Como um Evo Morales, Cristina Kirchner estatizou a petroleira, trocando inclusive os seguranças".
Para essa mídia raivosa, se não for privado, não presta. Estado mínimo já! America do Sul subserviente ao Tio Sam já! É imprescindível refletirmos sobre as mensagens midiáticas que recebemos, a quem essas mensagens interessam, e se esse interesse também é comungado pelo povo.
Fica cada vez mais explicita a necessidade da Ley de Medios.
Diante de um trânsito que a cada dia fica mais caótico, pois o natalense passou a acreditar que não se pode viver sem carro, além de meus problemas crônicos nos joelhos, tive que buscar uma alternativa de transporte, que encontrei na bicicleta. Nosso transporte público é vergonhoso, quando não inexistente (trens, onde?), mas não podemos usar isso como álibi, para virar a cara para o problema, adquirindo um carro, pois nem todos podem comprar um carro, tampouco a cidade e o meio ambiente aguentariam a demanda de ricos insanos por um veículo motorizado.
Mas bem, não é sobre isso que quero falar. Como disse, tenho andado muito pouco de carro, mas sempre que ando, venho escutando a rádio. As gerações mais novas, mais ligadas à tv e à internet (agora existem os iboys, os indivíduos que se desconectam do mundo quando estão com seus celulares nas mãos) acreditam que quase ninguém ouve rádio, muitos inclusive, desconhecem a importância histórica do rádio.
Como todo meio de comunicação, é importante que tenhamos sobre ele um olhar crítico, para que possamos compreender algumas de suas consequências. Com a grande influência da tv em nossa sociedade, aliada à popularização da internet, debates sobre o conteúdo televisivo tornaram-se mais corriqueiros na rede. No entanto, a rádio ainda é um pouco esquecida.
Precisamos lembrar que a rádio ainda exerce uma influência forte em nossa sociedade, principalmente nas classes menos favorecidas. Uma pesquisa feita por mim, mas que qualquer um pode constatar, me revelou que empregadas domésticas, caminhoneiros, operários e taxistas (este último eu suponho) ouvem muito rádio durante o trabalho. E o conteúdo que essas pessoas recebem é parecido com o conteúdo da grande e velha mídia televisiva. Nossos meios de comunicação foram loteados e entregues para uma série de figuras, que pouco têm a contribuir com a construção de uma democracia cada vez mais próxima do real conceito de democracia.
Não é a toa que é crescente a quantidade de rádios evangélicas. Enquanto o trabalhador exerce sua função, é cooptado por uma instituição através das ondas de rádio.
Hoje, ouvindo a rádio, coloquei na 94fm, a Rádio Cidade do RN. Logo que coloquei, Alexandre Garcia começou a falar. Falou de um ranking de presidentes de empresas sulamericanas feito a partir do ano de 95. Boa parte eram brasileiros (curiosamente, só presidentes de empresas privatizadas, como a CSN, Vale...), e logo em seguida, Alexandre Garcia disse que eram poucos os argentinos no ranking, segundo ele "em decorrência da bagunça causada pelo casal Kirchner, e em seguida comentou sobre a estatização da petroleira YPF, dizendo que "Como um Evo Morales, Cristina Kirchner estatizou a petroleira, trocando inclusive os seguranças".
Para essa mídia raivosa, se não for privado, não presta. Estado mínimo já! America do Sul subserviente ao Tio Sam já! É imprescindível refletirmos sobre as mensagens midiáticas que recebemos, a quem essas mensagens interessam, e se esse interesse também é comungado pelo povo.
Fica cada vez mais explicita a necessidade da Ley de Medios.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Em Natal, não dá pra ser cidadão
De modo geral, o cidadão, genuinamente falando, se aborrece, ou se inquieta quando fica diante de irregularidades em seu meio. Quando esse cidadão se depara com essas situações, ele mesmo tenta fazer algo, ou busca os órgãos responsáveis.
Em Natal, buscar órgãos competentes é bastante complicado, primeiramente, porque são raros, ainda mais durante a aberração eleitoral chamada "Administração Micarla de Sousa", em segundo lugar, porque as dificuldades de buscar esses órgãos, muitas vezes são imensas. Em Natal, temos o exemplo dos "buracos de Natal", que diante de uma postura incompetente e inerte dos órgãos responsáveis, muitos moradores tiveram, eles mesmos, que tapar os buracos de suas ruas.
Há várias semanas, na Rua Professor Manoel Vilar, a rua que fica ao lado da Fiat Pontanegra, que desemboca na Avenida Roberto Freire, venho presenciando, nos horários de pico que, simplesmente, os motoristas não respeitam a mão dupla da rua. Seria digno, heróico e até emocionante, se tamanha pressa, que leva os motoristas a cometerem uma infração tão grave e perigosa, fosse para salvar o mundo, mas não é. Trata-se de um espírito egoísta e corrupto.
Já presenciei cenas absurdas, por exemplo, quando um ônibus no sentido normal quase bateu de frente com um carro de passeio, que vinha na contra mão. Hoje, voltou a acontecer, tive que pegar tal rua, e mais uma vez, tive raiva. Um taxi que pegou a contra mão, parou ao meu lado, aproveitei o vidro aberto do taxista apressado, e perguntei se ele não sabia que era contra mão. Ele disse, ironicamente, que não. Falei, também ironicamente, ser bela a pressa dele para salvar o mundo.
Desde que comecei a presenciar essas cenas, tentei fazer a denúncia na página da prefeitura (http://www.natal.rn.gov.br/ouvidoria/), em vão, pois o site dizia que meu e-mail é inválido, talvez só se for para essa página, ou para esse fim. Durante esse tempo, tentava ligar para o número que consta nos carros da SEMOB - 156 - e foi sempre em vão. Hoje resolvi ligar para a polícia, e quando informei ao policial que tentei contato pelo 156, ele riu, disse que esse telefone não funciona, e me passou o número 3232-9144. Feliz, resolvi ligar achando que ajudaria a resolver o problema, mas às 18:20, ninguém atendeu. Provavelmente porque a partir das 18 horas o trânsito de Natal não exija maiores cuidados.
Em Natal, não dá pra ser cidadão.
Em Natal, buscar órgãos competentes é bastante complicado, primeiramente, porque são raros, ainda mais durante a aberração eleitoral chamada "Administração Micarla de Sousa", em segundo lugar, porque as dificuldades de buscar esses órgãos, muitas vezes são imensas. Em Natal, temos o exemplo dos "buracos de Natal", que diante de uma postura incompetente e inerte dos órgãos responsáveis, muitos moradores tiveram, eles mesmos, que tapar os buracos de suas ruas.
Há várias semanas, na Rua Professor Manoel Vilar, a rua que fica ao lado da Fiat Pontanegra, que desemboca na Avenida Roberto Freire, venho presenciando, nos horários de pico que, simplesmente, os motoristas não respeitam a mão dupla da rua. Seria digno, heróico e até emocionante, se tamanha pressa, que leva os motoristas a cometerem uma infração tão grave e perigosa, fosse para salvar o mundo, mas não é. Trata-se de um espírito egoísta e corrupto.
Já presenciei cenas absurdas, por exemplo, quando um ônibus no sentido normal quase bateu de frente com um carro de passeio, que vinha na contra mão. Hoje, voltou a acontecer, tive que pegar tal rua, e mais uma vez, tive raiva. Um taxi que pegou a contra mão, parou ao meu lado, aproveitei o vidro aberto do taxista apressado, e perguntei se ele não sabia que era contra mão. Ele disse, ironicamente, que não. Falei, também ironicamente, ser bela a pressa dele para salvar o mundo.
Desde que comecei a presenciar essas cenas, tentei fazer a denúncia na página da prefeitura (http://www.natal.rn.gov.br/ouvidoria/), em vão, pois o site dizia que meu e-mail é inválido, talvez só se for para essa página, ou para esse fim. Durante esse tempo, tentava ligar para o número que consta nos carros da SEMOB - 156 - e foi sempre em vão. Hoje resolvi ligar para a polícia, e quando informei ao policial que tentei contato pelo 156, ele riu, disse que esse telefone não funciona, e me passou o número 3232-9144. Feliz, resolvi ligar achando que ajudaria a resolver o problema, mas às 18:20, ninguém atendeu. Provavelmente porque a partir das 18 horas o trânsito de Natal não exija maiores cuidados.
Em Natal, não dá pra ser cidadão.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Não valemos nada.
Sim, não valemos nada. Não importa o quanto trabalhamos, o quanto estudamos, e o quanto lutamos por uma sociedade mais democrática, se carregamos conosco um estigma que nos marginaliza, seremos sempre uns vagabundos, uns merdas, a vergonha da família, e alvo de ódio, calúnias e dos olhares da censura. Todas nossas virtudes, todo nosso suor é deixado em segundo plano, todas nossas qualidades se perdem em meio ao discurso opressor.
Não valemos nada. Podemos, na medida do possível, ser o melhor filho, um parente amável, ou um excelente colega de trabalho, se não seguimos o fluxo, se não formos sujeitos inofensivos, seremos execrados, alvo de escárnio, e nossas idéias, coitadas, se tornam inaudíveis e invisíveis. Nossos defeitos se tornam monstruosamente grandes diante de nossas qualidades, nos atribuem rótulos, seja de "bicha", "comunista" ou "drogado", e não importa o que façamos, seremos apenas isso.
Não quero aqui dizer o que devemos fazer, mas creio que só temos duas opções: agüentar a opressão em silêncio, sofrendo, ou dar a cara a tapa e encarar os opressores. Minhas bochechas já estão coradas, mas acredito ser a melhor opção quando se busca a liberdade de corpo e alma.
Pelo direito de fazermos o que quisermos com nossos corpos.
Não valemos nada. Podemos, na medida do possível, ser o melhor filho, um parente amável, ou um excelente colega de trabalho, se não seguimos o fluxo, se não formos sujeitos inofensivos, seremos execrados, alvo de escárnio, e nossas idéias, coitadas, se tornam inaudíveis e invisíveis. Nossos defeitos se tornam monstruosamente grandes diante de nossas qualidades, nos atribuem rótulos, seja de "bicha", "comunista" ou "drogado", e não importa o que façamos, seremos apenas isso.
Não quero aqui dizer o que devemos fazer, mas creio que só temos duas opções: agüentar a opressão em silêncio, sofrendo, ou dar a cara a tapa e encarar os opressores. Minhas bochechas já estão coradas, mas acredito ser a melhor opção quando se busca a liberdade de corpo e alma.
Pelo direito de fazermos o que quisermos com nossos corpos.
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